valor.globo.com – 03/04/2020.
Por Ivan Ryngelblum — De São Paulo.
A covid-19 não alterou apenas a forma como as empresas vão quantificar seus efeitos, mas até a rotina dos auditores.
A covid-19 não alterou apenas a forma como as empresas vão quantificar seus efeitos sobre seus ativos, ela está dificultando o próprio processo de auditoria.
A pandemia deve levar muitas empresas a baixar os estoques para o seu valor líquido de realização e contabilizar como despesa no período, diante da movimentação reduzida dos produtos, preços menores de commodities ou obsolescência dos seus estoques por conta das vendas abaixo do esperado.
Esta questão, especificamente, representa um desafio para os auditores. Para mensurar os estoques, é preciso ir às empresas, um procedimento antes quase banal que ganhou ares de estratégia militar em tempos de isolamento horizontal.
Apesar da tecnologia ajudar a mitigar os problemas, alguns processos acabaram comprometidos. “A tecnologia nem sempre atende as necessidades, alguns documentos temos que ver in loco”, disse Claudio Camargo, líder de auditoria da EY. Ele cita como exemplo a carta de representação, documento emitido pelos administradores da empresa auditada e endereçada ao auditor independente, confirmando as informações e dados fornecidos ao auditor. “Este é um caso em que é preciso estar presencialmente na companhia para acessar”, disse. “Caso contrário, não podemos receber os documentos”, afirma.
A situação inédita levou a uma ação conjunta de entidades ligadas a empresas, auditores e investidores para pedir a postergação de prazos para realização de assembleias e entrega de balanços. O governo acatou a solicitação com uma medida provisória que permitiu o adiamento das assembleias e deu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) poderes para alargar o prazo de entrega de informações periódicas das companhias abertas, como demonstrações financeiras e, formulários trimestrais.







